sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lucas põe Neymar e Ganso à frente, mas projeta ser o melhor do mundo

Integrante da nova safra de ouro do futebol brasileiro, o meia são-paulino deseja ganhar títulos pelo Tricolor Paulista antes de alçar voos mais altos.

Não faz nem um ano que ele apareceu no elenco profissional do São Paulo. Mas seu rápido sucesso já o credencia como o mais valioso fruto da base desde Kaká, que trocou o Morumbi pelo Milan em 2003, depois de dias conturbados com a torcida do clube que o criou, e hoje veste a camisa do Real Madrid. A rápida introdução acima é para Lucas, 18 anos, o principal nome do atual elenco tricolor que já sonha seguir passos similares aos da mais famosa revelação são-paulina (assista aos bastidores da entrevista no vídeo ao lado).
- Meu maior sonho é um dia ser o melhor jogador do mundo, mas para isso existem várias etapas a superar. Não posso querer dar um passo maior que a perna - avisa.
Kaká conseguiu ser eleito o melhor do mundo pela Fifa em 2007, depois de levar o Milan ao título da Liga dos Campeões. Antes de atingir este ponto, Lucas deseja brilhar não no futebol europeu, mas sim no São Paulo, feito que o craque do time merengue não conseguiu.
Em fevereiro deste ano, Lucas renovou seu contrato com o Tricolor até dezembro de 2015, tornando-se um dos jovens mais caros do país - sua multa rescisória está avaliada em € 80 milhões (cerca de R$ 180 milhões). Além disso, o bom futebol mostrado desde que apareceu já fez as pessoas esquecerem que ele despontou com o apelido de "Marcelinho", por causa da aparência física com o ex-jogador corintiano.
- Hoje em dia, só na base alguns garotos ainda me chamam de Marcelinho, porque fiquei muitos anos lá com esse apelido. O restante das pessoas só fala Lucas mesmo - conta.
Nove meses após a sua estreia no time profissional - foi em 9 de agosto de 2010, no 1 a 1 com o Atlético Paranaense, em Curitiba - o garoto fez até aqui 38 jogos, marcou oito gols e virou presença garantida na Seleção Brasileira de Mano Menezes, com possível participação na Copa América, primeira competição oficial pelo time principal do Brasil, a ser disputada em julho na Argentina - o técnico convocou 28 jogadores e cortará seis jogadores para a competição, sendo dois goleiros (foram chamados quatro).

- É uma emoção inexplicável, uma alegria ver meu nome na lista dos convocados. Agora preciso ir lá e mostrar o que sei para voltar sempre - resume.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Lucas, produzida pela equipe do FootBrazil, programa da Rede Globo que é exibido para mais de 190 países.
Na semana passada você foi convocado outra vez para a Seleção Brasileira principal. Isso mostra que você superou uma outra etapa da sua carreira?
Chegar à Seleção é o sonho de todo jogador. Quando vi meu nome na lista, morri de alegria. A emoção foi a mesma da primeira convocação (no amistoso contra a Escócia). Não tem como explicar. Agora preciso me manter, jogar da maneira que vinha atuando para conseguir ser lembrado sempre. Preciso ir bem nos dois amistosos para provar que posso estar no grupo da Copa América. E uma coisa puxa a outra, né? Primeiro vem Copa América, depois tem Olimpíadas, Copa das Confederações e o topo, que é a Copa do Mundo.

O que representou o Sul-Americano Sub-20, no começo do ano, para esta sua evolução?
Aquele campeonato foi um salto na minha carreira. Explodi lá. Foi maravilhoso o que aconteceu, perfeito, a partir dali todo mundo passou a conhecer o Lucas do São Paulo.
Neymar e Lucas comemoram o títulodo Brasil sub 20 (Foto: Mowa Press)
 
O Sul-Americano também aproximou você do Neymar, certo?
Já conheço o Neymar faz tempo, fomos rivais na base, em jogos de futsal também. Nós nos enfrentamos muitas vezes antes de chegarmos ao profissional. Sempre converso com ele, ainda mais depois da Seleção sub-20, quando dividimos o mesmo quarto e ficamos junto mais de um mês. Fiquei mais amigo dele depois disso, conversamos por telefone, mensagem, Twitter... É uma amizade bacana, mas dentro de campo é uma coisa, e fora é outra.

Em pouco tempo de carreira, você já conviveu no São Paulo com duas eliminações seguidas (Paulista e Copa do Brasil). O que tirou de tudo isso?
As derrotas servem para amadurecer. Sabemos que o primeiro semestre não foi bom para o São Paulo, ficamos devendo nas duas competições que disputamos. Por isso que o nosso início no Brasileiro precisa ser bom, para apagar esta imagem ruim que foi deixada.

Pela primeira vez nos últimos anos o São Paulo começa o Brasileirão só disputando uma competição. É melhor ou aumenta a pressão por bons resultados?
Precisamos conquistar a confiança da nossa torcida outra vez. O pensamento agora é apenas no Brasileirão, e temos de conquistar pontos no início, porque eles valem a mesma coisa no fim, quando o campeonato fica mais disputado. Quero títulos aqui no São Paulo, quero retribuir a confiança que a torcida e a diretoria depositaram em mim. Às vezes as pessoas falam que sou o principal jogador do time, mas essa questão contratual fica fora do jogo. Quando a bola rola, todos têm as suas responsabilidades.
Lucas com a equipe da Globo no Morumbi (Foto: Miguel Schincariol / Globoesporte.com)
 
Você sente a responsabilidade de ser um jogador formado dentro do São Paulo? O Kaká sofreu muita pressão e chegou a ter problemas com a torcida depois de alguns resultados ruins.
Estou tranquilo. Quando entro em campo esqueço de tudo isso, mas não fujo da responsabilidade. Sei da pressão que carrego e fico feliz por Cotia (local do centro de treinamento da base tricolor) ter dado bons frutos nos últimos anos. Depois da Copa São Paulo de 2010 vários jogadores com potencial foram promovidos, como Casemiro, Bruno Uvini, Zé Vitor. Fico contente por ter feito parte dessa safra.

Deixando o campo um pouco de lado, você está estudando, fazendo algum curso?
Terminei o ensino médio e tinha vontade era de fazer uma faculdade, mas aí subi para o time profissional e parei com os estudos para me dedicar só ao futebol. Mas tenho vontade de fazer um curso de inglês para não ficar tão longe dos livros.

Todos no São Paulo dizem que você é muito simples. O próprio Rogério Ceni sempre elogia esse seu lado. De onde vem esse jeito? É uma coisa passada pelo seu pai (Jorge)?
Acho que educação é uma coisa que vem de berço. Meu pai e minha mãe me deram uma educação maravilhosa, são pessoas responsáveis pelo meu sucesso, e quero sempre ambos perto de mim. Ainda não conquistei nada, não tem motivo para mudar o meu jeito de ser. E mesmo se eu tivesse conquistado, não tem porque mudar. Preciso ser a mesma pessoa, pois com isso só tenho a ganhar, tanto dentro como fora de campo.

Você tem um empresário (Wagner Ribeiro), mas seu pai continua gerenciando a sua carreira?
Sim, meu pai foi uma peça importante no meu sucesso, na realização do meu sonho. É ele quem cuida de tudo da minha carreira, da parte financeira, me ajuda no lado psicológico também. Ele sempre vai aos jogos para me assistir, conversa comigo, quero ele sempre do meu lado, o máximo que eu puder, porque pai e mãe sempre querem o bem para a gente.

Mas e o contrato com a 9ine?
O Ronaldo fez uma parceria com o Wagner Ribeiro, meu empresário, para cuidar da imagem dos jogadores dele, trazer propostas de publicidade, trabalhar com imagem fora do campo.

Pra fechar, quem é melhor: Lucas, Neymar ou Ganso?
Estou em terceiro nesta lista. O Ganso deu uma parada agora, machucou-se, mas ele já fez muita coisa ao lado do Neymar, os dois já conquistaram títulos com a camisa do Santos. Eu ainda não tenho nem um ano como profissional, mas tenho tudo para crescer também e ser uma surpresa neste Campeonato Brasileiro.

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