terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Pesquisa revela que 536 mulheres foram agredidas por hora em 2018


Pesquisa revela que 536 mulheres foram agredidas por hora em 2018

 

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 52% das vítimas não buscaram apoio de família, amigos ou autoridades após sofrer a violência.

 

Por: Visão do Araripe

 

Fabíola Perez, do R7

 

Um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 536 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora no último ano no Brasil. A pesquisa "Visível e Invisível - A vitimização de Mulheres no Brasil, divulgada nesta terça-feira (26), revela também que a maioria das vítimas (52%) de violência doméstica não buscou apoio de famílias, amigos ou autoridades após sofrer a violência. 


A pesquisadora do Fórum, Cristina Neme, afirma que apesar dos avanços na legislação, os índices de violência contra a mulher permanecem altos. "Apesar dos retrocessos atuais na discussão pública sobre gênero, o país avançou na legislação, há uma história de avanços. No entanto, o padrão da vitimização ainda é alto", diz a especialista.

As agressões ocorrem de diferentes formas. De acordo com o estudo, 12,5 milhões de mulheres sofreram ofensas verbais, como insulto, humilhação ou xingamento, 4,6 milhões (nove por minuto) foram tocadas ou agredidas fisicamente por motivos sexuais. E 1,6 milhão (três por minuto) sofreram tentativas de espancamentos ou estrangulamento.

Na grande maioria dos casos, o perigo está dentro de casa. A análise de especialistas sobre mulheres vítimas de violência doméstica é endossada pelos números. O estudo aponta que 76,4% das mulheres que sofreram violência afirmam que o agressor era alguém conhecido. "A pesquisa confirma que os agressores estão no círculo familiar, os estudos da área de saúde também mostram isso. Esse é um padrão de comportamento de pessoas conhecidas, que têm intimidade com as vítimas."

O número revela um crescimento de 25% em relação ao ano de 2016, quando 61,2% das mulheres afirmaram conhecer o agressor. Em 23,8% dos casos, o agressor é o cônjuge, companheiro ou namorado, em 21,1% das ocorrências quem violenta a vítima são os vizinhos e em 15,2% dos registros o agressor é o ex-cônjuge, ex-companheiro ou ex-namorado. 

Dificuldade em notificar e denunciar

Apesar do elevado número de casos de violências contra a mulher, as vítimas ainda enfrentam dificuldades para denunciar os casos. Apenas 10,3% procurou uma delegacia especializada, 8% buscou uma delegacia comum, 15% procurou ajuda da família e 52% não fez nada. Os números mostram também que 42% das agressões ocorrem em casa, 29% nas ruas, 8% na internet, 8% no trabalho e 3% no bar ou em baladas.

A dificuldade em se notificar é segundo Cristina, um problema que persiste ao longo dos anos. "Desde os casos menos graves até os mais graves, agressões com o uso de armas. Menos de 20% das vítimas buscam as delegacias", diz. "É preciso implementar a legislação e ampliar o atendimento e mecanismos de proteção às vítimas: desde o encaminhamento às assistências de saúde, garantia de abrigos até a garantia das medidas protetivas na Justiça."

A pesquisa também mapeia a percepção da população sobre a violência contra a mulher: 59% da população afirma ter visto uma mulher sendo agredida física ou verbalmente no último ano, 37% viram homens praticando humilhações, ofensas ou xingamentos contra ex-companheiras, 28% viram mulheres que residem na vizinhança sendo agredidas e 20% viram meninas da vizinhança sendo agredidas.

Cristina explica que em anos anteriores a violência contra a mulher era tratada em uma esfera privada. “As pessoas não se intrometiam”, diz. “Hoje é uma questão pública, mas ainda assim as pessoas se omitem. É preciso ganhar espaço no enfrentamento do problema.”

Em relação ao assédio, o estudo detectou que 37,1% das brasileiras com 16 anos ou mais relatam ter sofrido algum tipo nos últimos 12 meses. As mulheres entre 16 e 24 anos apresentam, segundo a pesquisa, maiores índices de vitimização. “As mais jovens estão expostas. Claramente, o número cai quando se avança para as próximas faixas etárias”, diz Cristina. “As mais afetadas são as que circulam mais nos espaços públicos.”


 

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